[RESENHA SEM SPOILER] Vingadores: Ultimato é uma declaração de amor ao MCU, as HQs e aos fãs

[RESENHA SEM SPOILER] Vingadores: Ultimato é uma declaração de amor ao MCU, as HQs e aos fãs

“E houve um dia, como nenhum outro, em que os maiores heróis da Terra se viram unidos contra uma ameaça comum. Neste dia nasceram Os Vingadores, para enfrentar ameaças que nenhum herói poderia vencer sozinho.” Foi dessa maneira que Stan Lee apresentou os Vingadores pela primeira vez no distante ano de 1963, e em abril de 2019 testemunhamos o lançamento do maior fruto dessa primeira edição, escrita por Lee e ilustrada por Jack Kirby: Vingadores: Ultimato, uma declaração de amor às HQs, ao MCU e aos fãs, novos e antigos.

Não sou um crítico de cinema, não tenho formação jornalística e muito menos especialização em cinema, então o que vou escrever não será uma análise técnica, mas um testemunho de um fã de longa data de quadrinhos, alguém que cresceu nos anos 80 comprando nas bancas de jornais as famosas HQs em formatinho da Abril. Alguém que, honestamente, até 10 anos atrás nunca imaginou ver em um filme o que vi hoje. Mas ao longo dessa década o Marvel Studios, ou mais precisamente Kevin Feige, sonhou, ousou e fez o que ninguém nunca tinha feito antes: transplantou para a tela do cinema a mesma experiência de uma grande saga dos quadrinhos.

 

 

O grande acerto de Ultimato está no roteiro assinado por Stephen McFeely e Christopher Markus e na direção de Joe e Anthony Russo. Os quatro conseguiram dar ao filme um senso de gravidade, de pesar, mas sem perder o espírito de humor, marca registrada da Marvel, que funciona harmoniosamente. Desde o início há momentos de puro riso e surpresa com decisões inesperadas na apresentação de certos personagens, mas igualmente há sequências nas quais a dor e o trauma experimentados pelos sobreviventes também podem ser verdadeiramente sentidos pelo publico.

Ao contrário de Guerra Infinita, cujo ritmo é mais acelerado e cenas de ação são apresentadas quase que ininterruptamente, Ultimato é, de certa forma, lento, com mais momentos de diálogos e interações emocionais, construção de situações, do que efetivamente sequências de ação. Na realidade, a primeira metade do filme é dedicada mais a uma homenagem ao passado do MCU (Marvel Cinematic Universe).

Vingadores: Ultimato é construído em torno de uma estrutura que são os Seis Originais. Não foi por acaso que Tony Stark (Robert Downey Jr.), Steve Rogers (Chris Evans), Thor (Chis Hemsworth), Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), Bruce Banner (Mark Ruffalo) e Clint Barton (Jeremy Renner) sobreviveram ao Estalar de Dedos de Thanos. Eles são o ponto central da narrativa, mais precisamente os três primeiros, os únicos cujos filmes solo compuseram trilogias. Sim, existem novos personagens, como Homem-Formiga (Paul Rudd), Nebulosa (Karen Gillan), Rocket Raccoon (Bradley Cooper), Máquina de Combate (Don Cheadle) e Capitã Marvel (Brie Larson), e é divertido ver Rocky, Nebulosa, Scott Lang e Carol Danvers interagindo com os outros, mas o foco sempre permanece nos Seis Originais, pois eles são o fio condutor da história.

 

 

Pelas redes sociais os Irmãos Russo promoveram diariamente ao longo das últimas semanas um filme por dia do MCU para que os fãs revissem antes de Ultimato. E isto não foi sem motivo. Se para alguém que nunca tivesse visto nenhum dos 18 filmes anteriores do estúdio seria perfeitamente possível assistir Guerra Infinita sem grandes prejuízos, ver Ultimato sem conhecer os 21 anteriores é impossível, ou melhor, infrutífero. Isto porque  momentos chave são revisitados, ou homenageados,  e vistos sob um novo ângulo, contando com novas dinâmicas e consequências curiosas que divertem e provocam gargalhadas.

Em meio a essa jornada, situações e encontros são utilizados para fechar ciclos, estabelecer novas visões, matar curiosidades e rever personagens queridos que ficaram para trás. Mas o filme é, sobretudo, como seu título original (Endgame) diz um “final de jogo”, uma conclusão, um encerramento para as três primeiras fases do MCU, para o que Kevin Feige chamou de “Saga do Infinito”. E simultaneamente consegue apontar novos e curiosos rumos para o futuro da franquia, funcionando ao mesmo tempo como o Fim de Uma Era e uma ponte para uma nova.

 

 

E se os dos primeiros atos são marcados pela nostalgia, o ato final nos entrega a mais impressionante sequência de ação já vista na história do cinema. São 40 minutos ou um pouco mais de momentos épicos, de cenas desde já icônicas e inesquecíveis, de tensão, vibração, delírio e apoteose. O filme inteiro funciona como uma grande saga dos quadrinhos e sua grande batalha final apresenta sequências, tomadas, claramente inspiradas nas páginas duplas de HQs, aquelas em que cada canto do papel é preenchido pela ação de um personagem diferente. Impossível para o garoto nerd que comprava formatinhos da Abril nos anos 80 não chorar de emoção, e eu chorei.

Choro, aliás, é uma constante no filme. Dependendo do seu nível de sensibilidade, você pode chorar no início, chora no meio e definitivamente chora no final. E as lágrimas são de tristeza e de felicidade. Garantida também é a vibração, a empolgação, o grito da torcida a cada instante de euforia com uma nova sequência impressionante de luta. Acredite, você não está preparado para Vingadores: Ultimato. Por mais que teorias tenham sido elaboradas, que especulações tenham sido debatidas nos fóruns virtuais e redes sociais, por mais que você esteja empolgado e certo de que vai amar o filme, desfrutar de 2 horas e 48 minutos de puro deleite e satisfação, ainda assim o filme vai ter surpreender e provocar um impacto que não estava esperando.

 

 

Sim, Vingadores: Ultimato é tudo isso e muito mais. Não é simplesmente um filme, é um evento, é um marco, é um divisor de águas, é uma experiência cinematográfica única a ser dividida pela plateia dentro do cinema como se este fosse um estádio de futebol em final de campeonato. O que a Marvel alcançou, o senso de perfeição na construção de um universo compartilhado, trabalhando com tantos personagens, com tantas tramas, todas convergindo para um monumental gran finale é um feito jamais tentado antes e que dificilmente conseguirá voltar a ser repetido. A não ser que a própria Marvel o faça. E ela já provou que é capaz.  Contudo, isto saberemos apenas talvez daqui a dez anos. Mas agora é hora de desfrutar de Vingadores: Ultimato, um filme para ser visto, revisto e revisto.

Quanto a este nerd que colecionava as revistas Heróis da TV que traziam sempre histórias dos Vingadores, deixei a sala de exibição chocado, extasiado, triste, feliz, surpreso, satisfeito e curioso pelo que virá.  O cinema nunca mais foi o mesmo desde que, em 2008, Tony Stark disse “Eu sou o Homem de Ferro”, e Vingadores: Ultimato veio para fechar esse etapa de forma grandiosa, estupenda, emocionante e linda.

Avante, Vingadores.

Vingadores: Ultimato, com direção dos Irmãos Russo (Capitão América: Guerra Civil), tem no elenco Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Chris Evans (Capitão América), Scarlett Johansson (Viúva Negra), Chris Hemsworth (Thor), Mark Ruffalo (Hulk), Jeremy Renner (Gavião Arqueiro), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff), Chadwick Boseman (Pantera Negra), Don Cheadle (Máquina de Combate), Paul Rudd (Homem-Formiga), Brie Larson (Capitã Marvel), Chris Pratt (Peter Quill), Zoe Saldana (Gamora), Bradley Cooper (Rocket Raccoon), Dave Bautista (Drax), Karen Gillan (Nebula), Pom Klementieff(Mantis), Vin Diesel (Groot), Tom Hiddleston (Loki), Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho), Tom Holland(Homem-Aranha), Josh Brolin (Thanos), Sebastian Stan (Soldado Invernal), Danai Gurira(Okoye). Benedict Wong(Wong), Jon Favreau (Happy Hogan), Gwyneth Paltrow (Pepper Potts), Evangeline Lilly (Vespa).

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