Legion: primeiras impressões da nova série do universo dos X-Men

Legion: primeiras impressões da nova série do universo dos X-Men

O piloto de Legion, que estreou nesta quinta (09) no FX, é uma experiência que certamente vai gerar reações distintas entre grupos de telespectadores: amor e ódio. A sua narrativa caótica, aparentemente desestruturada, confusa, não irá agradar aqueles que gostam das fórmulas já conhecidas, em que se pode até mesmo antever ações e desdobramentos da trama com bastante antecedência. Porém, para aqueles dispostos a abraçar o novo, que gostam de ser desafiados e surpreendidos, Legion é irresistível.

O básico da história é: David Haller, um jovem que apresenta problemas de comportamento desde sua infância, é diagnosticado como esquizofrênico e, em um hospital psiquiátrico, não tem ideia se seus poderes são reais ou alucinações. Mas, ao conhecer uma garota, Syd Barrett (Rachel Keller) – o capitão América vai curtir a referência ao Pink Floyd –  vivencia uma experiência que leva a uma tragédia, e que o torna alvo de uma organização governamental.

Assim como David, nós também não sabemos se o que estamos assistindo está realmente acontecendo ou se não passa de mais uma alucinação. Os eventos se misturam de forma a confundir a percepção do protagonista e do espectador, fazendo com que a sensação de perturbação seja compartilhada.

Noah Hawley, o showrunner, é um especialista em criar situações absurdas, geralmente regadas a muita violência e sangue, a partir de acontecimentos que no princípio aparentam irrelevância mas que, como uma pedra ao ser arremessada em um lago, provocam ondas circulares que vão aumentando progressivamente. Todo o estilo que Howley desenvolveu na série Fargo, em suas duas temporadas, podemos ver repetido em Legion, porém com uma diferença fundamental: Fargo trata de pessoas comuns tragadas por acontecimentos incomuns, enquanto em Legion seu herói é um mutante dotado de poderes imprevisíveis.

A série por algum tempo foi vendida como se passando no mesmo universo dos X-Men – nos quadrinhos David Haller é filho do professor Xavier -, mas no episódio piloto em nenhum momento isso foi sentido. E ainda que os interrogadores de David se refiram a ele como um telepata poderoso, e mencionem poderes, sequer a palavra mutante foi mencionada.

Estilisticamente ousada, Legion tem um visual belíssimo, utilizando os elementos cênicos e a fotografia para representar as emoções e desordem mental de David, que é interpretado de modo brilhante por Dan Stevens. E ainda que Aubrey Plaza também esteja bem, quem mais se destaca é Rachel Keller, cuja expressão tranquila, cálida, delicada, contrasta com a hiperatividade e confusão de David.

Legion, definitivamente, não é uma série sobre super-heróis, mas, assim como Alan Moore revirou o conceito de quadrinhos de super-heróis de cabeça para baixo com Watchmen, Legion pode fazer o mesmo com as séries derivadas dos quadrinhos na TV.

 

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