James Gunn quebra o silêncio e fala sobre sua demissão e recontratação pela Disney

James Gunn quebra o silêncio e fala sobre sua demissão e recontratação pela Disney

No dia 20 de junho de 2018, em um movimento que surpreendeu a todos, a Disney demitiu James Gunn após surgirem inúmeros tweets publicados por ele, entre 2008 e 2011, que faziam piadas, extremamente ofensivas, sobre pedofilia e estupro. Dias depois, o elenco de Guardiões soltou uma carta aberta criticando a decisão, mas levou meses até que o chefe do Disney Studios, Alan Horn, decidisse pela recontratação de Gunn, que foi anunciada em março deste ano.

Durante todo esse período James Gunn não falou sobre o assunto com a imprensa, mas nesta quarta (15), o Deadline publicou com exclusividade uma entrevista com James Gunn, que, antes de dirigir GoG Vol. 3, vai comandar Esquadrão Suicida para a DC.

Deadline: “como você se sentiu quando Alan Horn convidou você a voltar para Guardiões da Galáxia 3?

Gunn: “Eu estava falando sobre Esquadrão Suicida com a DC e estava empolgado a respeito. Alan me convidou para falar com ele. Eu realmente acredito que ele é um bom homem e acho que ele me contratou de volta porque achou que era a coisa certa a fazer. Eu o conheço um pouco, da época dos filmes de Scoobby-Doo [que Gunn roteirizou]. Eu sempre gostei dele e o admirei. Eu fiquei tocado pela sua compaixão.

Você ouve falar sobre como Hollywood todo mundo passa a perna em todo mundo. Isto é verdade para uma parte da indústria, mas existem muitas pessoas realmente boas. Eu estou sempre tentando achar a bondade em lugares inesperados, frequentemente nos personagens em meus filmes. Eu fiquei com lágrimas nos olhos em seu escritório. E depois eu tinha que contar a Kevin Feige que eu tinha decidido fazer Esquadrão Suicida, então estava muito nervoso.”

Deadline: “Para um cineasta com a reputação de não ter papas na língua nas mídias sociais sua resposta a demissão foi ficar em silêncio. Você não culpou ninguém além de si mesmo, o que claramente ajudou na decisão de Horn de recontratá-lo. O que passava pela sua cabeça nessa época?”

Gunn: “Eu não culpei ninguém. Eu me senti mal por um tempo pelas maneiras como falei publicamente. algumas das piadas que fiz, alguns dos alvos do meu humor, pelas consequências não intencionai de não ter sido mais solidário. Eu sei que as pessoas foram machucadas pelas coisas que eu disse e isto é minha responsabilidade. Eu me sinto mal por isso e assumo toda responsabilidade. A Disney estava totalmente certa em me demitir. Isto não foi uma questão de liberdade de expressão. Eu disse algo que eles não gostaram e eles tinham o direito de me demitir. Não havia argumento contra isso.

O primeiro dia… eu diria que foi o mais intenso de toda a minha vida. Eu tive outras dificuldades, desde quando fiquei sóbrio quando era jovem até a morte de amigos queridos que cometeram suicídio. Mas isto foi incrivelmente intenso. Aconteceu e parecia que, de repente, tudo tinha ido embora. Eu soube naquele momento que aconteceu incrivelmente rápido que eu tinha sido demitido. Eu senti que minha carreira tinha acabado.”

E depois vieram aquelas demonstrações de amor. Da minha namorada, Jen; dos meus produtores e agentes; Chris Pratt me ligando em pânico; Zoe Saldana e Karen Gillan, todos me ligando e chorando. Sylvester Stallone falou comigo comigo pelo FaceTime. E, é claro, Dave Bautista, que se manifestou tão fortemente. Todo esse amor que senti de meus amigos e família, e das pessoas da comunidade foi absolutamente impressionante.”

James Gunn começará a dirigir Guardiões da Galáxia Vol, 3 após concluir o trabalho em Esquadrão Suicida. A previsão é que os trabalhos em GoG Vol. 3 comecem na primeira metade de 2020.

 

 

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