Guardiões da Galáxia Vol. 3 – quem irá assumir a direção após a demissão de James Gunn?

Guardiões da Galáxia Vol. 3 – quem irá assumir a direção após a demissão de James Gunn?

Diante da exposição de inúmeros tweets postados entre 2008 e 2011 por James Gunn, nos quais ele fazia supostas piadas envolvendo pedofilia e estupro, a Disney agiu rapidamente e comunicou a imediata demissão do diretor de Guardiões da Galáxia Vol. 1 e Vol. 2. Cerca de um mês atrás, Gunn concluiu o roteiro de Guardiões da Galáxia Vol. 3, que iria dirigir no início do próximo ano.

A demissão de Gunn foi comunicada pelo presidente do Walt Disney Studios, Alan Horn, que classificou os tweets como “indefensáveis e incompatíveis com os valores do nosso estúdio.” O escândalo ocorreu justamente durante a San Diego Comic Con, mas este ano a Marvel Studios não tem nenhum painel no evento e, até o momento, o estúdio não deu nenhuma declaração oficial. Kevin Feige, presidente da divisão de cinema da Marvel, tampouco manifestou-se ainda sobre o ocorrido.

Com a demissão de Gunn, muitas questões referentes ao futuro do terceiro volume de Guardiões da Galáxia ficam pendentes. O roteiro escrito por ele será utilizado? Quem irá substituí-lo na direção? O cronograma de início de filmagens será mantido? Enquanto a Marvel não se manifestar publicamente, abordando estes pontos, sobrarão especulações.

 

Roteiro de Guardiões da Galáxia Vol. 3 recentemente finalizado por James Gunn.

 

James Gunn foi responsável direto pela versão cinematográfica dos Guardiões da Galáxia, um obscuro grupo dos quadrinhos conhecido apenas pelos verdadeiramente aficionados, tornar-se um fenômeno pop. Com uma dose certa de humor, drama, e uma cuidadosa escolha de trilha sonora, Gunn transformou os Guardiões em um dos grandes sucessos do Marvel Studios. Após a conclusão do segundo filme, ele declarou que o terceiro volume marcaria o fim da formação atual dos Guardiões e que o longa fecharia um ciclo, um arco fechado.

É possível que a Marvel mantenha, ao menos, o argumento de Gunn, contratando alguém para reescrever o roteiro, caso a Disney esteja decidida a cortar qualquer laço em relação ao antigo funcionário. Mas se o cronograma for mantido, existe também a possibilidade de manter o atual roteiro, por temer mexer demais no que vinham dando tão certo.

A grande decisão, porém, será a escalação do(a) responsável por substituir James Gunn na direção. A lógica é que o estúdio queira apostar em uma solução caseira, ou seja, convocando alguém que já tenha trabalhado no MCU (Marvel Cinematic Universe) e tenha se provado competente.

Os nomes mais importantes do estúdio hoje são os irmãos Joe e Anthony Russo, que dirigiram as grandes superproduções da casa nos últimos anos, indo de Capitão América: Soldado Invernal (2014) e Capitão América: Guerra Civil (2016) a Vingadores: Guerra Infinita (2018) e o ainda inédito Vingadores 4 (2019).  É pouco provável que eles assumam GoG Vol. 3 porque estarão até maio comprometidos com o quarto filme dos Heróis Mais Poderosos da Terra e, certamente, exaustos após cerca de 4 anos ininterruptos de trabalho.

O nome com maiores chances, e também o preferido do público nas redes sociais, é o de Taika Waititi, que fez de Thor: Ragnarok o mais bem-sucedido filme da trilogia do Deus do Trovão, remodelando a imagem do asgardiano. Com Ragnarok Waititi provou entender de space opera, capaz de lidar com temas cósmicos e, principalmente, ter a capacidade de imprimir seu característico humor ao universo super-heróico da Marvel. Embora um diretor autoral, Waititi trabalhou muito bem como o esquema mais industrial da Marvel, tendo liberdade para usar de muita improvisação nas filmagens. Seu estilo casa bem com os irreverentes Guardiões da Galáxia e, embora o terceiro filme certamente tenha um tom mais dramático por marcar o fim de um ciclo, com despedidas, ele não teria problema em trabalhar com questões mais sérias também, afinal o que não lhe falta é talento.

 

 

Outra escolha caseira que pode ser feita é Peyton Reed (Homem-Formiga e a  Vespa), pois ele já tem experiência em assumir um projeto em andamento que estava, anteriormente, nas mãos de outro diretor. O primeiro filme do Homem-Formiga seria originalmente dirigido por Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo), mas por conta de discordâncias criativas com a Marvel, ou melhor, com Kevin Feige, o inglês abandonou o barco. Reed, diretor de comédias como Separados Pelo Casamento (2006) e Sim, Senhor (2008), foi contratado para assumir a direção. O roteiro de Homem-Formiga (2015) foi então reescrito por ele e Paul Rudd. Várias ideias de Edgar Wright, como a luta final no quarto da filha de Scott, foram mantidas e outras novidades, como Luis (Michael Peña), foram acrescentadas.

 

 

Homem-Formiga e Homem-Formiga e a Vespa não são grandes sucessos comerciais da Marvel, até mesmo por não ter esta pretensão, mas Peyton Reed desenvolveu muito bem o lado cômico dos dois filmes, sobretudo no segundo, aliado com uma direção de ação mais segura e inventiva no mais recente, abordando também temas familiares que são muito importantes para os Guardiões da Galáxia.

Dentre diretores com experiência, bons trabalhos e que nunca dirigiram para a Marvel, algumas possibilidades podem ser Duncan Jones (Warcraft: o Primeiro Encontro de Dois Mundos), Brad Bird (Os Incríveis), Jordan Vogt-Roberts (Kong: a Ilha da Caveira) e Phil Lord e Chris Miller (Anjos da Lei). Estes últimos, porém, recentemente tiveram problemas com a Disney ao serem demitidos de Han Solo: Uma História Star Wars, mas, é claro,  LucasFilm e Marvel são estúdios diferentes, com padrões diferentes.

É claro que existe sempre a possibilidade da contratação de algum(a) novo(a) e promissor(a) diretor(a), e o estúdio, ao longo dos anos, tornou-se conhecido por abrir portas para nomes pouco conhecidos da indústria, que nunca trabalharam com grandes produções, como os acima citados, e o próprio James Gunn, além de Jon Watts (Homem-Aranha: De Volta ao Lar), Anna Boden e Ryan Fleck (Capitã Marvel). Portanto, a Marvel pode mais uma vez surpreender e escalar um(a) diretor(a) que ninguém está esperando.

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