Justiceiro – criador do personagem crítica uso da símbolo da caveira por policiais e militares

Justiceiro – criador do personagem crítica uso da símbolo da caveira por policiais e militares

O Justiceiro foi um dos primeiros anti-heróis dos quadrinhos, criado por Gerry Conway e os ilustradores Ross Andru e John Romita Sr., o personagem surgiu inicialmente como um antagonista do Homem-Aranha, mas naqueles idos dos anos 70 a inocência que caracterizou o surgimento dos primeiros super-heróis foi substituída por uma “América” que sofria com a violência urbana, com os traumas da Guerra do Vietnã e com o escândalo Watergate, abraçando assim personagens cujas atitudes moralmente questionáveis podiam ser compreendidas dentro de um cenário de caos, o que levou Frank Castle a ganhar uma popularidade que seu criador não imaginara que pudesse ter.

Desde então tornou-se comum ver até mesmo pessoas cujas profissões representam a lei e a ordem ostentar a marca registrada e icônica do personagem, a caveira. Em entrevista ao SyFy Wire, Conway criticou duramente este tipo de atitude.

“Para mim, é perturbador ver figuras de autoridade abraçando a iconografia do Justiceiro porque o Justiceiro representa a falha do sistema de justiça. Ele deveria indicar o colapso da moral da autoridade social e a realidade de alguns pessoas que não podem depender das instituições como polícia ou militares para agir de maneira justa e capaz.

O anti-herói vigilante é fundamentalmente uma crítica ao sistema de justiça, um exemplo da falha social, então quando policiais colocam a caveira do Justiceiro em seus carros ou integrantes das forças armadas usam distintivos com a caveira do Justiceiro eles estão basicamente se colocando como inimigos do sistema. Eles estão abraçando a mentalidade de um fora da lei. Quer que as atitudes do Justiceiro sejam justificáveis ou não, quer você admire seu código de ética, ele é um fora da lei. Ele é um criminoso. Policiais não deveriam abraçar um criminoso como seu símbolo.

De certo modo, isso é tão ofensivo quanto colocar uma bandeira confederada em um prédio governamental. Meu ponto de vista é, o Justiceiro é um anti-herói, alguém por quem podemos torcer ainda que lembrando que ele é um fora da lei e um criminoso. Se um policial, um representante do sistema de justiça, coloca o símbolo de um criminoso em seu carro, ele ou ela estão fazendo uma propaganda muito perturbadora de seu entendimento sobre a lei.”

A segunda temporada da série do Justiceiro estreia na próxima sexta (18) na Netflix.

 

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