[CRITICA] Vingadores: Guerra Infinita deveria se chamar Thanos: Guerra Infinita

[CRITICA] Vingadores: Guerra Infinita deveria se chamar Thanos: Guerra Infinita

Começo a escrever este texto pouco mais de uma hora depois de assistir Vingadores: Guerra Infinita, portanto ainda sob todo o impacto visual e emocional que o filme despeja sobre nós, e este não é pouco. Poderia dizer que Infinity War é o melhor filme produzido pela Marvel, mas ele é mais do que isto, ele é o melhor filme de super-heróis, ponto. Claro que isto é um julgamento meramente pessoal e subjetivo, porém a Marvel conseguiu construir um épico de tal forma que tudo parece menor diante dele. Mas o principal responsável por isto é seu vilão, pois o filme pertence, em todos os sentidos, a Thanos.

 

 

O texto não trará spoilers e nada que não tenha sido previamente declarado publicamente pelos diretores, produtores e elenco, assim como nada que não tenha sido visto no trailer, será discutido de maneira clara, porque se spoilear é uma grande sacanagem com qualquer obra, neste caso específico dar spoilers seria um crime hediondo. Porque a verdade é que, por mais que você acredite que está preparado, na realidade não está.

Como já é de amplo conhecimento, a trama de Vingadores: Guerra Infinita envolve a cruzada de Thanos, interpretado magistralmente por Josh Brolin, em busca das Joias do Infinito, seis relíquias da criação do universo que contém em si a essência de tudo aquilo que compõe a existência. As Joias do Infinito, a exceção de uma, foram apresentadas previamente ao longo dos dezoito filmes anteriores do Marvel Studios. Para impedir que o Titã Louco reúna as seis pedras e torne-se uma entidade divina com poderes além da compreensão e assim realize seu intento insano, os maiores heróis do MCU (Marvel Cinematic Universe) unem forças para combatê-lo.

 

 

É bom deixar claro que para conseguir desfrutar e compreender inteiramente o filme é sim necessário assistir, se não todos, pelo menos a grande maioria dos dezoito longas produzidos anteriormente pelo Marvel Studios. Vingadores: Guerra Infinita foi desde o princípio descrito como a culminação de 10 anos do MCU e ele realmente funciona desta maneira. Pequenas informações, citações, participações e tudo construído nas tramas das trilogias do Homem de Ferro, Capitão América, Thor, dos dois filmes dos Guardiões da Galáxia, Vingadores, bem como dos longas de Dr. Estranho, Homem-Aranha e Pantera Negra, são utilizados em maior ou menor grau neste terceiro filme dos Avengers.

Os Irmãos Joe e Anthony Russo, responsáveis pela direção de Capitão América: Soldado Invernal (2013) e Capitão América: Guerra Civil (2016), receberam uma missão de sonhos e também de pesadelo. Por mais empolgante que seja para o público ver tantos personagens queridos reunidos e interagindo entre si, tal façanha requer uma coragem imensa, porque existia o risco de tornar o filme inchado, desbalanceado, cansativo e ruim, com uma trama cuja única função seria servir de moleta para que tais e tais personagens aparecessem como fan service. E definitivamente não é isto o que acontece em Guerra Infinita. A trama não serve aos personagens e sim os personagens que servem a trama, que estabelece de modo bem claro e simples a razão de ser do crossover.

 

 

A solução encontrada pelos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely, que também escreveram Soldado Invernal e Guerra Civil, foi dividir o filme em até quatro núcleos, que, posteriormente, quase ao final, são convertidos em dois. Cada um destes é composto pelo encontro de personagens que nunca tinham compartilhado o mesmo espaço na tela antes. E como sempre ocorre, não só nos filmes da Marvel, mas também nos quadrinhos, o primeiro encontro entre heróis sempre vem na forma de um conflito inicial e desconfiança.

Dentre todos, aqueles que mais se destaca é Thanos. Podemos dizer que ele é o verdadeiro protagonista do filme e que o título mais apropriado para o longa seria Thanos: Guerra Infinita. Sua gigantesca e poderosa presença domina a tela a cada aparição, e não só por sua imponência, mas também pelo excelente trabalho que os roteiristas, a equipe de CGI e Josh Brolin fizeram ao dar-lhe, primeiro um grande arco dramático, e depois uma humanização e mistura de emoções que é efetivamente sentida a cada palavra dita por ele. Até este filme, Thanos era uma ameaça nas sombras, que manipulava vilões que serviam como peões em seu jogo. Em Vingadores: Guerra Infinita temos ele contra o mundo, contra o universo. Seu figurino, desprovido da armadura e elmo, abandonados logo no início da história, simboliza esta transformação da caracterização do personagem, que se destitui de seus ornamentos e ostentação e embarca em uma cruzada pessoal e familiar, que o apresenta ao público de uma maneira mais profunda e emocional.

 

 

O trabalho da equipe de efeitos especiais, combinando a interpretação contida mas poderosa de Brolin, funciona de tal forma que na maior parte do tempo esqueci que estava vendo um personagem criado em CGI. Cada minimo movimento facial é captado, cada sutil reação emocional é percebida e o rosto que vemos é o de Josh Brolin.

Depois do Titã Louco, quem mais impressiona é o Deus do Trovão. A evolução que Thor (Chris Hemsworth) atinge aqui nasce a partir da sua desconstrução em Ragnarok, dando ao personagem o tratamento grandioso e épico que sua contraparte nos quadrinhos sempre teve. Sem nada a perder, Odinson passa a ser movido apenas pela fúria e vingança, despertando um poder que na tela é apresentado de forma espetacular. Sua interação com Rocky (Bradley Cooper) é o único momento de leveza e humor permitido a um personagem que ganhou o arco mais trágico de todo o MCU.

 

 

A relação entre personagens tão diferentes e outros tão semelhantes pela egocentrismo e vaidade, como Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch), evidenciando suas divergências é outro ponto forte do filme. Cada um dos núcleos é retratado coerentemente de acordo com as personalidades de seus heróis. Os momentos de humor ficam por conta dos Guardiões da Galáxia e do Homem-Aranha, enquanto o núcleo do Capitão América (Chris Evans) é mais sóbrio e sombrio, carregado no drama vivido por Visão (Paul Bettany) e Wanda (Elizabeth Olsen) e a iminente invasão de Wakanda pelo exército de Thanos.

 

 

Nas duas primeiras horas, Vingadores: Guerra Infinita posiciona suas peças e traça as estratégias, que são postas em ação em duas extraordinárias sequências de ação ininterrupta de, pelo menos, 25 minutos, que combinadas desenvolvem momentos de angústia, euforia, medo e de assombro e descrença. O final chega com um sentimento impactante de “eu não acredito no que estou vendo” e com uma inevitável perguntada martelando na nossa cabeça: “E agora?

A cena pós-crédito situa o grande acontecimento perturbador do final de modo ainda mais eficiente e arrebatador, deixando claro que o Universo Marvel nunca mais será o mesmo depois de Vingadores: Guerra Infinita. Muitos já tentaram, mas em seu décimo aniversário a Marvel presenteou os fãs com o equivalente a O Império Contra-Ataca do gênero de super-heróis e, além da sensação de ter perdido o chão, a conclusão do terceiro filme dos Vingadores nos deixa ainda mais ansiosos para ver o quarto, que, certamente, será diferente de tudo que estamos esperando.

Uma jornada cinematográfica, sem precedentes, de 10 anos e abrangendo todo o Marvel Cinematic Universe, Vingadores: Guerra Infinita, da Marvel Studios, traz à tela o confronto mais mortal de todos os tempos. Os Vingadores e e seus aliados super-heróis devem estar dispostos a sacrificar tudo na tentativa de derrotar o poderoso Thanos antes que seu ataque de devastação e ruína ponha um fim no universo.”

Vingadores: Guerra Infinita, com direção dos Irmãos Russo (Capitão América: Guerra Civil), tem no elenco Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Chris Evans (Capitão América), Scarlett Johansson (Viúva Negra), Chris Hemsworth (Thor), Mark Ruffalo (Hulk), Jeremy Renner (Gavião Arqueiro), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff), Paul Bethany (Visão), Chadwick Boseman (Pantera Negra), Don Cheadle (Máquina de Combate), Paul Rudd (Homem-Formiga), Chris Pratt (Peter Quill),Zoe Saldana (Gamora), Bradley Cooper (Rocket Raccoon), Dave Bautista (Drax), Karen Gillan (Nebula), Pom Klementieff(Mantis), Vin Diesel (Groot), Tom Hiddleston (Loki), Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho), Tom Holland(Homem-Aranha),Josh Brolin (Thanos), Peter Dinklage (Pip), Sebastian Stan (Soldado Invernal), Danai Gurira(Okoye).Benedict Wong(Wong), Jon Favreau (Happy Hogan)

 

 

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